A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) anunciou o afastamento de servidores da rede estadual de ensino após surgir suspeita de desvio de recursos públicos de escolas para uso em plataformas de jogos de azar on-line, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”. A medida faz parte de investigações internas conduzidas pela Corregedoria Setorial da pasta e decorre de auditorias e denúncias que apontaram movimentações irregulares nas contas de unidades escolares.
Segundo a Seduc, cerca de 15 processos administrativos estão em andamento para apurar essas irregularidades, que envolveriam diretores e assessores financeiros das escolas estaduais, tanto efetivos quanto contratados. Esses servidores ocupavam posições de gestão e tinham acesso às contas das unidades de ensino, o que teria possibilitado supostamente a retirada indevida de verbas públicas para apostas em jogos eletrônicos.
As irregularidades foram identificadas em diversas localidades do estado, como Goiânia, Pires do Rio e Itaberaí, após auditorias internas e denúncias de membros da comunidade escolar relatando movimentações suspeitas nas finanças das unidades. Em um dos casos apurados, os desvios teriam alcançado aproximadamente R$ 90 mil ao longo de três meses, segundo informações apuradas pela imprensa local.
A Seduc informou que os processos investigativos correm sob segredo de justiça e que os nomes dos servidores envolvidos não foram divulgados, nem os valores totais desviados. A pasta também destacou que os recursos foram recompostos ao caixa das escolas para evitar prejuízo ao funcionamento das unidades e ao atendimento aos alunos enquanto as apurações prosseguem.
Em entrevista à imprensa, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, relatou que depoimentos colhidos indicam que alguns dos servidores investigados apresentavam endividamento e possível dependência em jogos de apostas, o que teria motivado o uso indevido dos recursos públicos.
As investigações também foram levadas ao conhecimento da Polícia Civil, que foi acionada para apurar possíveis implicações criminais, embora a corporação tenha informado que não pode fornecer detalhes sem a identificação formal dos envolvidos.
A situação gerou preocupação no cenário educacional e administrativo do estado, pois trata-se de verba destinada à manutenção e ao funcionamento das escolas, incluindo melhorias estruturais e atendimento básico aos estudantes. A Seduc segue com as apurações para identificar a extensão dos desvios e responsabilizar os agentes envolvidos de acordo com a legislação.
Esse caso também evidencia os desafios enfrentados pelos órgãos públicos na fiscalização e no controle de verbas, destacando a importância de mecanismos de transparência e auditoria contínua para prevenir o uso indevido de recursos que deveriam ser exclusivamente destinados à educação pública.
Autor: Victor Castro