O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues observa que perceber uma mancha no sutiã ou um líquido saindo do mamilo costuma provocar preocupação imediata. A reação é compreensível, mas a secreção mamilar tem causas variadas, e a maior parte delas não está ligada ao câncer de mama. Saber diferenciar a secreção esperada daquela que pede avaliação ajuda a buscar atendimento no momento certo, sem alarme desnecessário nem demora.
Uma queixa comum e quase sempre benigna
A mama é formada por ductos que levam o leite até o mamilo. Mesmo fora da gestação e da amamentação, esses canais podem produzir pequenas quantidades de líquido. Em muitas mulheres, uma gota surge quando o mamilo é espremido, o que não indica doença. Por esse motivo, a orientação é evitar espremer o mamilo repetidamente para verificar se há líquido, já que o estímulo constante pode manter a produção.
A cor do líquido também varia. Secreções esbranquiçadas, amareladas, esverdeadas ou acinzentadas costumam ter origem benigna, sobretudo quando aparecem nas duas mamas e saem por vários orifícios ao mesmo tempo. O padrão sugere uma resposta de todo o tecido, e não de um ponto específico.
Hormônios e medicamentos entre as causas
A galactorreia, saída de líquido semelhante ao leite fora do período de amamentação, é um exemplo frequente. Pode estar ligada ao aumento da prolactina, hormônio produzido pela hipófise, a alterações da tireoide ou ao uso de medicamentos como alguns antidepressivos, antipsicóticos e remédios para enjoo.
Diante da galactorreia, a investigação costuma começar por exames de sangue, e não de imagem da mama. Segundo Vinicius Rodrigues, a avaliação clínica, com revisão dos medicamentos em uso, muitas vezes esclarece a origem do quadro sem necessidade de procedimentos adicionais.
Ectasia ductal e papiloma intraductal
A ectasia ductal é a dilatação de ductos próximos ao mamilo, mais comum em mulheres perto ou depois da menopausa. A secreção tende a ser espessa e escura, às vezes acompanhada de leve inflamação local. Trata-se de uma alteração benigna, que pode ser apenas acompanhada. Quando a secreção incomoda muito ou surgem infecções de repetição, a retirada cirúrgica do ducto afetado é uma opção.
O papiloma intraductal é uma pequena lesão que cresce dentro de um ducto e está entre as causas mais frequentes de secreção com sangue. Embora seja benigno na maioria dos casos, costuma ser investigado com ultrassonografia e, frequentemente, retirado, porque o sintoma é semelhante ao de alguns tumores.
Quando a secreção pede avaliação por imagem?
Algumas características mudam a conduta. A secreção espontânea, que aparece sem que o mamilo seja tocado, merece atenção. O mesmo vale para o líquido com sangue ou transparente como água, que sai de uma só mama e por um único orifício, de forma persistente.
A presença de nódulo palpável, retração do mamilo ou alterações na pele aumenta a necessidade de investigação. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a combinação entre o tipo de secreção e os achados do exame físico orienta qual exame pedir primeiro e com que urgência.
Os exames usados na investigação
A ultrassonografia é geralmente o primeiro exame, por mostrar ductos dilatados e pequenas lesões próximas ao mamilo. A mamografia é associada conforme a idade e ajuda a identificar microcalcificações. Em situações em que os dois exames não esclarecem o quadro, a ressonância magnética pode ser indicada.
A análise de células do líquido tem papel limitado, porque um resultado normal não exclui doença. Quando há uma lesão identificada, a biópsia guiada por imagem define o diagnóstico. Conforme explica Vinicius Rodrigues, o objetivo é investigar com precisão quem tem sinais de alerta e evitar procedimentos para quem apresenta apenas a secreção fisiológica, comum e sem significado de doença.