Pesquisa mostra perfil dos apostadores, valor médio gasto por mês e aumento na parcela que enxerga as bets como fonte de vício
Uma pesquisa do instituto Datafolha, realizada nos dias 20 e 21 de maio deste ano, traçou um retrato atualizado de como os brasileiros se relacionam com as apostas esportivas e os cassinos online. O levantamento, encomendado pela Folha de S. Paulo, ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo os dados, apenas 7% dos brasileiros com 18 anos ou mais afirmam apostar atualmente em plataformas de bets ou em jogos de cassino online, enquanto 93% dizem não acessar esse tipo de serviço. O grupo de apostadores ativos segue concentrado principalmente entre os homens, que representam 11% do total, contra 3% entre as mulheres. Na divisão por faixa etária, o público mais jovem lidera a prática: 13% das pessoas entre 18 e 24 anos afirmam apostar, percentual que sobe para 20% na faixa de 25 a 44 anos e cai para apenas 4% entre os brasileiros com 45 anos ou mais.
O valor médio gasto por mês também apareceu no levantamento. Em apostas esportivas online, a média mensal por pessoa ficou em R$ 241, enquanto nos cassinos online o gasto médio foi de R$ 232 mensais. Embora o grupo de apostadores seja reduzido, o que eleva a margem de erro específica dessa parcela da amostra para seis pontos percentuais, os números ajudam a dimensionar o tamanho real do mercado quando comparado à percepção de exposição criada pela publicidade constante do setor.
A percepção sobre vício aumentou entre 2024 e 2026
Um dos dados mais relevantes da pesquisa diz respeito à forma como os brasileiros enxergam as apostas online. A parcela dos entrevistados que avalia que as bets e os jogos online causam vício subiu de 54%, em 2024, para 57% no levantamento mais recente. Já a fatia que considera as apostas uma perda de dinheiro se manteve estável, na casa dos 30%, enquanto quem enxerga a atividade como uma forma de diversão caiu de 9% para 6% no mesmo período.
Apenas 1% dos entrevistados afirmou ver as casas de apostas como fonte de renda, e outro 1% as classificou como uma forma de investimento financeiro, dado que reforça o entendimento de especialistas de que a percepção popular sobre o risco das bets tem se tornado mais crítica ao longo do tempo. Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas, essa mudança pode refletir tanto os esforços recentes do governo para colocar obstáculos ao acesso ao jogo quanto um avanço geral na conscientização da população sobre os riscos envolvidos.
A pesquisa também identificou uma redução no uso de recursos considerados de risco para bancar apostas. A parcela de entrevistados que usou dinheiro da poupança para apostar caiu de 22% para 19% em comparação com o levantamento de 2024, enquanto quem deixou de comprar algo para investir em apostas recuou de 19% para 11%. O uso de dinheiro emprestado para jogar também diminuiu, passando de 15% para 8% no mesmo intervalo.
Um retrato em transformação
Vale destacar que outro dado do estudo mostrou queda no uso do cartão de crédito para financiar apostas, que passou de 15% para 10% dos entrevistados, e na proporção de pessoas que deixaram de pagar alguma conta para direcionar o dinheiro ao jogo, que caiu de 13% para 6%. Ainda assim, o grupo reduzido de apostadores ativos faz com que essas variações precisem ser lidas com cautela, dada a margem de erro mais ampla aplicada especificamente a essa fatia da amostra.
O conjunto de dados apresentado pelo Datafolha ajuda a equilibrar o debate público sobre as bets no Brasil, mostrando que, apesar da publicidade maciça do setor, a parcela da população que efetivamente aposta segue relativamente pequena. Ao mesmo tempo, o aumento da percepção de que a atividade pode gerar vício sinaliza que a sociedade brasileira tem acompanhado de perto as discussões sobre os riscos do setor, o que ajuda a explicar por que o tema segue no centro da agenda tanto do governo federal quanto do Judiciário.
Fontes:
Yogonet Brasil
BemParaná