Empresas de tecnologia e operadores de apostas avançam da fase de testes para aplicações de IA em dados, personalização, prevenção a fraudes e conformidade
O setor de iGaming está ampliando os investimentos em inteligência artificial à medida que operadores de apostas e jogos on-line procuram levar projetos experimentais para aplicações efetivas em suas plataformas. Nesta sexta-feira (18), a consultoria britânica CreateFuture anunciou a contratação de dois executivos com experiência no mercado de apostas e jogos para fortalecer sua área especializada em IA. (EuropeanGaming)
A movimentação ocorre em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser tratada apenas como uma tecnologia experimental dentro do mercado de apostas. Empresas estão utilizando recursos de IA em áreas como análise de dados, personalização da experiência dos jogadores, detecção de fraudes, automação e gerenciamento de operações. (CreateFuture)
Segundo a CreateFuture, um dos principais obstáculos atuais para a adoção da tecnologia não está mais necessariamente no desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial, mas na qualidade dos dados, na estrutura tecnológica das empresas e na necessidade de demonstrar aos reguladores como os sistemas funcionam.
Inteligência artificial sai da fase de testes
A CreateFuture nomeou Eddie Bennett como diretor de Loteria e iGaming e Andy Wright como consultor estratégico da área. Bennett possui experiência em empresas como Allwyn, UK Tote Group, BoyleSports, Sky Bet e Lottoland, enquanto Wright acumula décadas de atuação em negócios de apostas, jogos e empresas reguladas. (EuropeanGaming)
A contratação ocorre justamente com o objetivo de ajudar operadores a transformar projetos de inteligência artificial em ferramentas efetivamente utilizadas nas operações. A consultoria afirma que muitas empresas já possuem projetos de IA, mas enfrentam dificuldades para integrar essas soluções aos sistemas existentes e demonstrar resultados que justifiquem novos investimentos. (iGaming News)
Na prática, isso significa uma mudança na maneira como o mercado encara a tecnologia. Em vez de concentrar esforços apenas na criação de modelos, operadores precisam estruturar bases de dados, sistemas de governança, processos internos e mecanismos capazes de registrar como as decisões automatizadas foram tomadas.
A própria CreateFuture afirma trabalhar com aplicações de IA em áreas como trading, atendimento ao cliente, personalização e detecção de fraudes. Segundo a empresa, algumas dessas soluções já estão em ambientes de produção dentro de operadores do setor. (CreateFuture)
Dados se tornam peça central para a IA nas apostas
Um dos principais desafios para a expansão da inteligência artificial no iGaming é a fragmentação dos dados. Operadores que cresceram por meio de aquisições ou que trabalham com diferentes marcas podem possuir sistemas separados, dificultando a criação de uma visão única sobre cada jogador. (EuropeanGaming)
Essa questão afeta diretamente aplicações de IA. Sistemas de personalização, prevenção de fraudes e análise de comportamento precisam acessar informações consistentes para produzir resultados confiáveis. Quando os dados estão distribuídos em diferentes plataformas, a mesma pessoa pode aparecer de maneiras distintas para áreas diferentes de uma empresa.
A CreateFuture cita justamente a consolidação dessa infraestrutura como uma das etapas necessárias para colocar projetos de inteligência artificial em funcionamento. Em um trabalho realizado com a evoke, a empresa afirma estar construindo uma base de dados capaz de oferecer uma visão mais consistente dos jogadores entre diferentes marcas e mercados. (EuropeanGaming)
A tecnologia também pode ser utilizada para automatizar processos que exigem análise constante de grandes volumes de informações. No caso das apostas, isso inclui acompanhamento de operações, identificação de comportamentos atípicos e suporte a processos relacionados à conformidade regulatória.
IA também amplia exigências de controle e segurança
O crescimento da inteligência artificial no iGaming acontece junto com uma preocupação maior sobre governança e supervisão. Sistemas utilizados por operadores de apostas precisam funcionar dentro das regras de cada mercado, o que aumenta a necessidade de documentação, rastreabilidade e explicação sobre o funcionamento dos modelos. (CreateFuture)
Esse aspecto também estará entre os temas discutidos na AI Academy do SBC Summit Lisbon 2026, marcada para ocorrer entre 29 de setembro e 1º de outubro. A programação inclui discussões sobre agentes de IA, dados esportivos, prevenção a fraudes e deepfakes, além das limitações da tecnologia e da necessidade de supervisão humana. (canadiangamingbusiness)
A preocupação com fraude é particularmente relevante para o setor. À medida que ferramentas de inteligência artificial conseguem analisar grandes volumes de dados e automatizar decisões, a mesma tecnologia também pode ser explorada para produzir golpes, falsificações digitais e tentativas mais sofisticadas de manipulação de plataformas.
Por isso, a expansão da IA no mercado de apostas ocorre em duas frentes simultâneas: empresas procuram utilizar a tecnologia para tornar suas operações mais eficientes, enquanto reguladores e operadores precisam criar mecanismos para garantir que esses sistemas sejam auditáveis e utilizados de acordo com as regras.
O movimento indica que a próxima etapa da transformação tecnológica do iGaming não depende apenas de desenvolver modelos mais avançados. A capacidade de organizar dados, integrar sistemas, controlar riscos e demonstrar o funcionamento das ferramentas tende a ganhar importância à medida que a inteligência artificial passa dos projetos-piloto para aplicações permanentes em plataformas de apostas e jogos on-line.
Fontes: European Gaming — CreateFuture amplia consultoria de IA para iGaming · CreateFuture — soluções de IA para iGaming · Canadian Gaming Business — programação da AI Academy no SBC Summit