Para a Sigma Educação, empresa brasileira de educação e tecnologia, uma das questões mais relevantes do debate educacional atual é também uma das mais práticas: por que alguns municípios brasileiros conseguem transformar a escola pública em motor real de aprendizagem, enquanto a maioria avança muito pouco ou regride? Os dados do último Ideb revelam um mapa de contrastes impressionantes, e as respostas estão em escolhas muito concretas de gestão, formação e política educacional.
Neste artigo, o leitor vai conhecer o que de fato diferencia os municípios que chegaram ao topo.
O cenário que torna essa pergunta urgente
Os números do Ideb 2023 mostram que o Brasil está longe de ser uniforme. Entre as redes municipais, 2.893 tiveram redução na nota padronizada do Saeb nos anos iniciais entre 2019 e 2023, enquanto 2.158 evoluíram. Nos anos finais, 1.803 redes municipais retrocederam e apenas 1.124 avançaram no indicador no mesmo período. Em outras palavras, a maioria dos municípios brasileiros saiu da pandemia com resultados piores do que quando entrou nela.
Mas, dentro desse cenário, um grupo de municípios seguiu em direção contrária. Compreender o que eles fizeram diferente não é apenas uma curiosidade acadêmica, demonstra a Sigma Educação. É um guia prático para o restante do país.
Sobral e o modelo que o mundo passou a estudar
Nenhum município brasileiro é citado com mais frequência no debate global sobre educação pública eficiente do que Sobral, no Ceará. Na última avaliação do Ideb, a cidade conquistou o primeiro lugar do Brasil com nota 8,0 entre os municípios com mais de 50 mil habitantes nos anos iniciais do ensino fundamental. Mais recentemente, o Ideb 2023 de Sobral chegou a 9,6, um resultado que coloca o município em outro patamar de desempenho em relação à média nacional.
O que explica esse resultado não é um único fator. Os princípios que sustentaram a reforma educacional de Sobral incluem o fortalecimento da gestão escolar com seleção meritocrática e técnica de diretores e coordenadores pedagógicos, sem indicação política, além de autonomia administrativa e financeira para as escolas. A separação entre gestão educacional e interesse político, portanto, foi uma das primeiras e mais decisivas mudanças.
O modelo do Ceará e a lógica dos incentivos
O caso de Sobral não ficou restrito à cidade. Ele inspirou uma reforma em todo o estado do Ceará, que ganhou reconhecimento internacional. Em pouco mais de uma década, o Ceará melhorou a qualidade da educação muito mais rápido do que qualquer outro estado do Brasil ao implementar um conjunto de reformas inovadoras, incluindo um modelo de financiamento baseado em resultados com forte apoio aos municípios com menor capacidade técnica.
O mecanismo financeiro criado é particularmente interessante. Uma parcela da repartição obrigatória do ICMS com os municípios é definida com base em resultados educacionais: quanto melhor o desempenho do município, maior o repasse de recursos. Essa lógica criou um incentivo concreto para que prefeitos priorizassem a educação não apenas no discurso, mas nas decisões de orçamento e gestão. Segundo análise do Banco Mundial, os quatro fatores-chave para o sucesso do estado foram: incentivos para os municípios, apoio técnico às redes municipais, sistema robusto de monitoramento e avaliação, e alto grau de autonomia para os municípios.

Conforme elucida a Sigma Educação, empresa com experiência em soluções educacionais integradas, esse modelo evidencia algo que os dados confirmam repetidamente: a inovação pedagógica sustentável não se instala sem que a gestão escolar esteja estruturada de forma profissional e orientada por resultados mensuráveis.
Formação docente como coluna vertebral do sucesso
Um elemento aparece em todos os municípios com bons indicadores, independentemente da região: o investimento sistemático na formação dos professores. O Ceará oferece aos municípios assistência técnica para iniciativas de alfabetização, materiais didáticos com rotina clara de aulas, formação regular para os professores sobre como utilizar esses materiais, incluindo acompanhamento em sala de aula com feedback, e incentivos para as escolas com melhor desempenho orientarem as de baixo desempenho.
Esse modelo de formação em rede, em que escolas mais avançadas apoiam as com menor desempenho, cria uma cultura de aprendizado coletivo que vai além dos treinamentos pontuais. Conforme destaca a Sigma Educação, o que diferencia a formação que gera resultado é justamente essa continuidade: o professor não recebe uma capacitação isolada e depois fica sozinho na sala de aula. Ele é acompanhado, recebe feedback e tem acesso a uma rede de suporte pedagógico real.
O que São Paulo e outros estados estão aprendendo com isso?
A experiência do Ceará começou a influenciar outras redes do país. No estado de São Paulo, iniciativas recentes incluem apoio à alfabetização na idade certa em parceria com municípios paulistas, recuperação semestral com foco na recomposição da aprendizagem e ampliação de cursos de formação continuada para professores. No ensino médio, a matriz curricular aumentou em 60% o tempo destinado ao aprendizado de língua portuguesa e em 70% o de matemática.
Essa movimentação indica que o modelo não é exclusivo de uma região ou realidade socioeconômica. Além do Ceará, cidades dos estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Paraná também apresentaram sucesso significativo no Ideb 2023, com a replicação de estratégias como fortalecimento da gestão escolar, formação contínua de professores e uso da tecnologia como ferramenta pedagógica intencional.
O padrão oculto por trás dos melhores resultados
Quando se analisa o conjunto dos municípios com melhores indicadores no Brasil, um padrão emerge com clareza. O município de Sobral ficou conhecido por ter um diagnóstico claro da aprendizagem e do desempenho do sistema, por concentrar esforços nas prioridades de melhoria da alfabetização de crianças, por escolher estratégias com base na evidência do que funciona e por implementá-las de forma coordenada com todos os principais atores da educação.
Esse padrão tem quatro elementos que se repetem: diagnóstico preciso, foco em prioridades claras, formação docente contínua e gestão protegida de interferências políticas. Quando esses quatro fatores coexistem, os resultados aparecem. Quando um deles falha, o progresso tende a ser lento ou reversível.
O que os municípios que ainda não chegaram lá podem fazer agora?
Na visão da Sigma Educação, referência em inovação educacional, a boa notícia é que o caminho já foi percorrido e documentado. Os municípios que avançaram não inventaram soluções miraculosas. Eles aplicaram com consistência princípios que já existiam: foco na alfabetização como base de tudo, formação docente como investimento permanente e gestão escolar técnica e autônoma.
Especialistas do Banco Mundial apontam que o modelo educacional do Ceará pode inspirar países que desejam reconstruir sistemas educacionais melhores, visando erradicar a pobreza de aprendizagem e fomentar o capital humano. Se o modelo funciona a ponto de ser estudado em outros continentes, ele certamente pode ser adaptado para os milhares de municípios brasileiros que ainda buscam seus próprios caminhos para melhorar o aprendizado de seus estudantes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez