Diante de um tratamento tão exigente quanto a quimioterapia ou a radioterapia, o instinto mais comum é repousar o máximo possível, evitando qualquer esforço físico adicional que pareça sobrecarregar um corpo já enfrentando desafio suficiente. O médico radiologista, Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues frisa que a evidência científica acumulada nos últimos anos aponta, de forma consistente, para a direção contrária: manter algum nível de atividade física durante o próprio tratamento oncológico traz benefícios mensuráveis, tanto físicos quanto emocionais, superiores ao que o repouso completo costuma proporcionar.
Estudos que acompanharam pacientes em tratamento ativo encontraram redução de fadiga, melhora de qualidade de vida e, em determinados contextos, até melhor tolerância aos efeitos colaterais da quimioterapia entre pacientes que mantiveram atividade física regular e adaptada, comparadas àquelas que optaram pelo repouso quase total durante esse período. Entender por que esse tipo de recomendação parece contraintuitivo à primeira vista, e como ela deveria ser adaptada individualmente, ajuda a esclarecer um aspecto do cuidado oncológico que ainda não recebe a atenção que merece.
Por que exercitar-se durante um tratamento tão desgastante parece, à primeira vista, contraproducente?
A fadiga relacionada ao câncer, efeito colateral extremamente comum durante quimioterapia e radioterapia, costuma ser interpretada de forma intuitiva como sinal de que o corpo precisa de descanso absoluto, seguindo a mesma lógica aplicada a outras formas de exaustão física do dia a dia. O paradoxo identificado pela pesquisa científica é que, especificamente nesse contexto, o repouso excessivo tende a agravar a fadiga ao longo do tempo, através de um ciclo de descondicionamento físico progressivo, enquanto atividade física leve a moderada, mantida de forma regular, ajuda a quebrar exatamente esse ciclo.
Segundo o Dr. Vinicius Rodrigues, essa descoberta mudou consideravelmente a orientação padrão dada a pacientes oncológicos nos últimos anos, substituindo a recomendação genérica de repouso por orientação específica de manter atividade física adaptada, sempre respeitando os limites individuais impostos pelo próprio tratamento e por eventuais complicações específicas de cada caso.
Que tipo de atividade física é considerado seguro durante o tratamento ativo?
Caminhadas leves, exercícios de resistência com pesos adaptados à condição física atual da paciente e atividades como ioga ou pilates adaptado costumam ser bem tolerados durante boa parte do tratamento, desde que ajustados à energia disponível em cada dia específico, já que o nível de disposição pode variar bastante conforme o ciclo de quimioterapia e seus efeitos colaterais pontuais. Um estudo específico sobre treino de força para reabilitação depois do tratamento de câncer de mama também reforçou benefícios relevantes na recuperação de força muscular e qualidade de vida entre sobreviventes.
Na avaliação do médico radiologista, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a chave está justamente na flexibilidade e na escuta atenta do próprio corpo, evitando tanto o extremo do sedentarismo completo quanto o exagero de manter rotina de exercício intensa idêntica à praticada antes do diagnóstico, sem qualquer ajuste às novas circunstâncias impostas pelo tratamento em curso.

Existe alguma preocupação específica relacionada ao braço do lado tratado cirurgicamente?
Sim, e esse é um ponto de atenção relevante: mulheres que passaram por esvaziamento axilar, procedimento que remove linfonodos da axila para avaliação, correm risco de desenvolver linfedema, acúmulo de líquido linfático que causa inchaço no braço do lado afetado, condição que a atividade física adaptada, orientada por profissional especializado, na verdade ajuda a prevenir e controlar, ao contrário do que a intuição popular de proteger completamente aquele braço poderia sugerir.
Para o ex-secretário de Saúde, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, essa informação deveria ser mais amplamente divulgada, já que muitas pacientes ainda recebem orientação desatualizada de evitar completamente qualquer esforço com o braço do lado operado, quando a evidência atual aponta para exercícios específicos, bem orientados por fisioterapeuta especializado, como parte ativa da prevenção dessa complicação, e não como fator de risco adicional para ela.
Atividade física depois do tratamento também influencia o risco de recorrência da doença?
Estudos observacionais de longo prazo sugerem associação entre atividade física regular depois do tratamento e menor risco de recorrência do câncer de mama, além de menor mortalidade geral entre sobreviventes, embora a força dessa evidência ainda seja diferente daquela obtida por estudos randomizados controlados, padrão mais rigoroso de comprovação científica. Ainda assim, a consistência desses achados em diferentes populações estudadas reforça a recomendação de manter atividade física regular como parte do cuidado de longo prazo depois de completado o tratamento inicial.
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues nota que essa recomendação se soma a outros benefícios já bem estabelecidos da atividade física regular sobre saúde cardiovascular, controle de peso e saúde mental, tornando-a uma intervenção com potencial de impacto positivo em múltiplas frentes simultâneas para quem já passou pelo tratamento do câncer de mama.
Como uma paciente deveria iniciar essa prática durante ou depois do tratamento?
O primeiro passo é conversar com a equipe oncológica responsável sobre a liberação para atividade física, considerando particularidades do tratamento em curso, e buscar, sempre que possível, orientação de um profissional de educação física ou fisioterapeuta com experiência específica em oncologia, capaz de adaptar a intensidade e o tipo de exercício às limitações e possibilidades de cada momento do tratamento.
Reconhecer que atividade física adaptada não é luxo nem capricho, mas parte comprovadamente benéfica do próprio tratamento oncológico, muda a forma como pacientes e familiares deveriam encarar essa recomendação. Substituir o instinto de repouso absoluto por movimento adaptado e orientado é uma das mudanças mais significativas, e ainda pouco conhecidas pelo público em geral, na forma como a oncologia moderna aborda o cuidado integral durante e depois do tratamento do câncer de mama.