O Governo Federal encaminhou 10.435 sites ilegais para bloqueio entre 25 de setembro e 1º de outubro de 2026, na primeira etapa de fiscalização realizada após a proibição da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. O balanço foi divulgado em 2 de outubro pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e teve a publicação atualizada em 7 de outubro.
A operação é conduzida de forma integrada pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, e pela Secretaria de Prêmios e Apostas. A medida tem como objetivo retirar do ambiente digital plataformas que não estão autorizadas a operar no país, em um momento de mudança nas regras para o setor de bets.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, também houve uma redução de 30,99% no volume de recursos mantidos nas plataformas fiscalizadas. A queda corresponde a R$ 652,6 milhões. Mesmo após as primeiras medidas, contudo, ainda havia R$ 1,453 bilhão em saldos positivos, distribuídos entre aproximadamente 28,65 milhões de CPFs.
Como funciona o bloqueio das plataformas
O encaminhamento dos endereços para bloqueio representa uma das frentes da resposta do governo às operações clandestinas. A identificação dos sites é feita a partir da atuação conjunta entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e pela segurança cibernética. Depois, as informações são direcionadas às instituições competentes para interromper o acesso às páginas consideradas irregulares.
Na prática, a estratégia busca dificultar que empresas não autorizadas continuem oferecendo serviços ao público brasileiro por meio da internet. A fiscalização também alcança a circulação de recursos nas plataformas, o que ajuda a explicar a redução registrada no balanço oficial. O resultado apresentado pelo governo reúne, portanto, duas dimensões da operação: o bloqueio de endereços digitais e o acompanhamento dos valores que permanecem vinculados às contas dos usuários.
A ação ocorre após a edição da Medida Provisória nº 1.394/2026. Conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional. O texto também estabeleceu um pacote de proteção às famílias endividadas e previu a articulação entre diferentes órgãos públicos.
Valores nas contas e próximos procedimentos
Um dos principais pontos do balanço é a identificação dos saldos positivos ainda existentes nas plataformas. Os R$ 1,453 bilhão mencionados pelo governo correspondem a valores distribuídos entre milhões de CPFs. A informação é relevante porque indica que o bloqueio dos sites não encerra, por si só, todas as providências relacionadas aos usuários que mantinham recursos nas contas.
O governo informou que haverá procedimentos para a devolução desses valores. O balanço divulgado pelos ministérios apresenta a restituição como uma etapa posterior da fiscalização, mas os dados fornecidos na publicação não detalham, nesta matéria, prazos individualizados, canais específicos ou critérios operacionais para cada usuário. Por isso, pessoas que tenham valores pendentes devem acompanhar as orientações oficiais dos órgãos responsáveis e evitar o fornecimento de dados pessoais em páginas não confirmadas.
A existência de saldo em uma plataforma não autorizada também não significa que o usuário deva tentar reabrir o acesso por meios alternativos. Sites espelho, novos domínios e links compartilhados em redes sociais podem estar relacionados a operações clandestinas ou representar riscos adicionais. A orientação editorial, diante do cenário, é tratar qualquer comunicação sobre devolução com cautela e verificar sua origem em canais governamentais.
Fiscalização envolve diferentes órgãos federais
A repressão às bets ilegais depende da cooperação entre áreas de segurança pública, regulação, defesa do consumidor e infraestrutura de comunicações. O material divulgado pelo governo cita a participação de órgãos como a Secretaria Nacional do Consumidor, a Agência Nacional de Telecomunicações e o Banco Central, além do Ministério da Fazenda e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Essa atuação conjunta é necessária porque as plataformas clandestinas não operam apenas como páginas na internet. Elas podem envolver publicidade, processamento de pagamentos, atendimento ao consumidor e movimentação de recursos. A articulação institucional permite reunir informações de diferentes setores e encaminhar medidas específicas para cada etapa da operação.
O balanço de 2 de outubro representa, assim, uma atualização operacional da política de proibição anunciada pelo governo, e não apenas uma nova divulgação da medida provisória. Os 10.435 endereços encaminhados para bloqueio mostram a dimensão inicial do trabalho, enquanto a redução dos recursos indica que a fiscalização também passou a atingir a circulação financeira associada às plataformas.
Como a publicação oficial foi atualizada em 7 de outubro, os próximos comunicados dos órgãos envolvidos deverão esclarecer a evolução dos bloqueios e os procedimentos de devolução dos saldos. Até lá, o uso de plataformas não autorizadas permanece associado a riscos legais, financeiros e de proteção de dados, especialmente para quem tenta acessar serviços por endereços alternativos após as medidas de restrição.