As marcas mais amadas do Brasil foram analisadas em 36 categorias na edição de 2026 do Net Love Score (NLS), estudo anual realizado pela Ecglobal, empresa de pesquisa e inteligência do consumidor do Grupo Stefanini. O levantamento avalia como os consumidores se relacionam com empresas de diferentes segmentos e, neste ano, passou a incluir ferramentas de inteligência artificial baseadas em grandes modelos de linguagem.
Os resultados foram divulgados em 28 de setembro de 2026, depois de uma pesquisa realizada integralmente pela internet durante o mês de julho. De acordo com informações divulgadas pelo Meio & Mensagem, participaram 3 mil homens e mulheres de diferentes regiões do Brasil.
A amostra foi organizada considerando os perfis de consumidores de cada categoria e utilizou o painel proprietário da Ecglobal, que reúne mais de dois milhões de respondentes ativos. O indicador Net Love Score combina dimensões como intensidade do amor declarado, preferência, fidelidade e amplitude da marca entre os usuários de determinado segmento.
Notoriedade não significa vínculo emocional
Um dos pontos centrais do estudo é a diferença entre ser conhecido, ser utilizado e criar uma relação afetiva com o público. Uma marca pode apresentar alta notoriedade e estar presente na rotina dos consumidores sem, necessariamente, alcançar o mesmo nível de preferência ou conexão emocional.
Para observar esse comportamento, o levantamento analisa o chamado “território” das categorias. A abordagem cruza o reconhecimento de uma marca, a conversão desse conhecimento em uso e o grau de afeição demonstrado pelos consumidores. O resultado permite identificar que a liderança em um desses aspectos não garante desempenho equivalente nos demais.
A lista divulgada pelo Meio & Mensagem reúne categorias de produtos e serviços como alimentos, bancos, aplicativos de mobilidade, plataformas de entrega, automóveis, cervejas e energéticos. Entre os exemplos apresentados estão Nestlé, líder em biscoitos doces e laticínios; Bauducco, em bolos e pães; Uber, em aplicativos de mobilidade; iFood, em aplicativos de entrega; Nubank, em bancos; Heineken, em cervejas; e Red Bull, em energéticos.
Inteligência artificial entra no ranking
A inclusão da inteligência artificial é uma das principais novidades da edição de 2026. Segundo a Ecglobal, essa ainda é uma categoria em formação, com fronteiras menos definidas do que as observadas em segmentos de consumo mais tradicionais.
Uma mesma pessoa pode recorrer a diferentes ferramentas de inteligência artificial dependendo da tarefa, do dispositivo ou do contexto de uso. Por esse motivo, o estudo separou dimensões como notoriedade, utilização e afeição. A proposta é estabelecer uma linha de base para acompanhar a evolução da disputa entre as marcas de IA nos próximos anos.
O movimento também mostra que a construção de uma marca nesse mercado não depende apenas da popularidade da tecnologia. Confiança, experiência de uso, utilidade percebida e identificação com o consumidor podem influenciar a forma como essas ferramentas serão reconhecidas e escolhidas ao longo do tempo.
Pesquisa acompanha mudanças no comportamento do consumidor
Ao ampliar o estudo de 33 categorias, em 2025, para 36 em 2026, a Ecglobal aumentou o escopo de segmentos observados. A metodologia busca mostrar como diferentes marcas ocupam espaços na memória, na rotina e nas preferências do público brasileiro.
Os dados também oferecem uma leitura sobre os desafios atuais de gestão de marca. Em um cenário no qual reconhecimento e presença não são suficientes para garantir lealdade, empresas precisam compreender quais fatores transformam exposição em preferência e uso em relacionamento duradouro.
A página institucional da Kantar Brasil também foi consultada como referência complementar para o contexto de estudos sobre marcas e comportamento do consumidor. Os resultados e a metodologia do Net Love Score citados nesta matéria são baseados nas informações divulgadas pela Ecglobal ao Meio & Mensagem.
O levantamento, portanto, não apresenta apenas uma relação de empresas conhecidas. Ele procura medir a distância entre a lembrança de uma marca, sua presença no cotidiano e a capacidade de estabelecer uma conexão emocional. No caso da inteligência artificial, a pesquisa inaugura uma comparação que deverá ganhar novos elementos conforme o mercado e os hábitos de uso se consolidarem.